19 10 Cintia Bossolan Márcio

A Câmara Municipal da Estância Turística de Tatuí aprovou durante a 36ª Sessão Ordinária, realizada na última segunda-feira (19), dois Requerimentos que pedem à Administração Municipal que trate com transparência a reforma do Mercado Municipal. De autoria de Cintia Yamamoto, os Requerimentos 3054/2026 e 3055/2026 foram assinados por todos os vereadores em coautoria. O tema já havia sido objeto do Requerimento 2525/2026, aprovado em 24 de agosto, mas as respostas da Prefeitura foram consideradas insatisfatórias. Por isso, os parlamentares voltaram a insistir em informações completas, detalhadas e consistentes.

Na tribuna, Cintia Yamamoto disse que não é contra a reforma, mas ela precisa ser feita com informações claras e transparentes à população e às pessoas diretamente atingidas. “Antes que algum defensor do ‘ruim serviço demais’ fale que sou contra a reforma do Mercadão, já adianto que sou a favor, que a população e os comerciantes merecem, mas é preciso transparência.” Ela mencionou a resposta dada pelo secretário de Esporte, Cultura, Turismo e Lazer, Douglas Dalmatti, ao Requerimento 2525. “Respondeu de maneira bem ampla que [a contratação da reforma] estava em processos burocráticos e que a gente poderia consultar as atas do COMTUR [Conselho Municipal de Turismo] no Portal da Transparência. Se o secretário tem preguiça de trabalhar, eu não tenho; consultei todas as atas de um ano para cá. Porém, as atas só expõem de maneira bem ampla os processos burocráticos que estão sendo feitos no Mercadão e não falam dos comerciantes. Inclusive, tive o cuidado de ver: o secretário participou somente de duas reuniões diante de todas essas atas. Mostra o quanto ele está preocupado com o Mercado Municipal”, ironizou a vereadora. Ela também relatou uma reunião recente na qual integrantes da Administração Municipal teriam dito aos comerciantes “que eles tinham que se virar um ano e meio, que não dariam apoio e que não era para eles falarem para a oposição sobre isso”. E, como explicou a parlamentar, foi justamente isso que motivou os novos Requerimentos.

Bossolan da Rádio também se manifestou sobre a reforma e relatou ter sido abordado por uma “comerciante desesperada” com os possíveis desdobramentos do fechamento do Mercado Municipal durante a reforma. “É algo desumano”, resumiu, e comparou a atual Administração com a gestão da ex-prefeita Maria José Gonzaga durante as intervenções na avenida Pompeo Reali. “Na época, a prefeita Maria José reuniu, conversou, analisou, avaliou, ouviu a situação dos comerciantes da Pompeo Reali. Isso é coisa que não se faz nesta administração: simplesmente manda a ordem de retirada, e eles [comerciantes] estão em desespero para arrumar um novo local”, relatou. O vereador defendeu o diálogo entre a Prefeitura e os comerciantes. “Não é simplesmente dizer ‘saiam daí’. Não! É preciso chamar para conversar. Os comerciantes podem até contribuir com essa reforma, mas não pode ser feito dessa forma arbitrária. Tem comerciante lá desde a fundação do nosso Mercado Municipal. A reforma é importante? É importante. Queremos? Queremos, mas de uma forma humana e que se evite ao máximo o prejuízo para os comerciantes.”

Márcio do Santa Rita também criticou a conduta do Executivo e classificou a situação como vergonhosa. “Isso que está acontecendo é uma vergonha. Precisa fazer um trabalho de duas partes, para não tirar aquele povo de dentro do Mercado Municipal”, opinou.

INFORMAÇÕES REQUISITADAS — O Requerimento 3054/2026 pede esclarecimentos concretos sobre a execução das obras no Mercado Municipal e a participação dos comerciantes nas decisões. Os vereadores querem saber o local para onde os comerciantes serão realocados, as medidas de apoio e auxílio durante a intervenção, o cronograma de início e término das obras e as ações previstas para reduzir prejuízos financeiros. Outro ponto de questionamento é se os comerciantes foram consultados, quais sugestões foram consideradas e se haverá garantia de retorno ao Mercado Municipal após a conclusão da revitalização. O Requerimento solicita ainda que a Prefeitura informe como garantir transparência e acesso a dados detalhados sobre o andamento do projeto.

Já no Requerimento 3055/2026, os vereadores solicitam a íntegra dos projetos previstos para o Mercado Municipal e para a Praça “Anita Costa”. A iniciativa considera as preocupações manifestadas por comerciantes e munícipes, tanto em relação às possíveis mudanças nos boxes e nas áreas internas do Mercado quanto à eventual instalação de um ponto de ônibus na praça. Os parlamentares também pedem informações sobre as intervenções planejadas, o funcionamento do Mercado Municipal durante as obras, a manutenção do acesso de comerciantes e consumidores e eventuais alterações de localização, tamanho, estrutura ou destinação dos boxes. Questionam ainda se os comerciantes já foram oficialmente comunicados e se haverá reunião para apresentação dos projetos e esclarecimento de dúvidas.

Além disso, há um pedido de cópia dos estudos técnicos, urbanísticos, de mobilidade, trânsito e impacto comercial que embasaram as propostas, assim como atas, registros ou documentos de consultas realizadas com comerciantes e moradores. A Prefeitura deverá informar os valores estimados de cada intervenção, as fontes de recursos e, caso esteja prevista a instalação de um ponto de ônibus na Praça “Anita Costa”, sua localização e os estudos que fundamentaram a decisão.